segunda-feira, 30 de maio de 2011

DOENÇAS AUTO-IMUNE (parte 2)


Células produtoras de insulina (coradas em amarelo),
sofrendo ataque de macrófagos e linfócitos (coradas em lilás).


E ai gente!

Para continuar falando de doenças auto-imune, escreverei aqui algumas coisinhas sobre uma das patologias mais abordadas atualmente: a Diabetes Mellitus tipo I.

O diabetes tipo I, também conhecida como infanto-juvenil por afetar pessoas de faixa etária mais jovens, é uma doença metabólica crônica caracterizada por uma deficiência de insulina, a qual é determinada pela destruição das células produtoras de insulina do pâncreas. Como se sabe, a insulina é um hormônio responsável por facilitar a entrada de glicose nas células. Este processo de destruição, mediado pelo sistema imunológico, ocasiona um quadro permanente de hiperglicemia o qual é característico da patologia. Invariavelmente há necessidade de reposição insulínica exógena. Além dos aspectos genéticos determinantes para o surgimento da doença, os fatores ambientais são de grande importância para desencadear a patologia. Devido as alterações genéticas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) dessas células produtoras de insulina, o sistema imune entende aquela alteração como a presença de um corpo estranho no tecido pancreático, tornando-as um alvo (antígeno) do nosso exército. Assim, células T CD4 serão apresentadas à esses antígenos por células dendríticas, exercerão sua função efetora recrutando principalmente macrófagos, linfócitos T CD8, células Natural Killer através da liberação de citocinas que funcionam como mediadores pró-inflamatórios, e resultará na eliminação das células produtoras de insulina pelo mecanismo de fagocitose ou degranulação, processo esse conhecido como insulite. Devido ao seu processo crônico e silencioso, o diabetes tipo I é diagnosticado muitas vezes quando as células beta já estão praticamente extintas. Além do nível glicêmico elevado no sangue, o diabete apresenta também glicosúria (presença de glicose na urina), cetose, entre outros. As maneiras de tratamentos para erradicar a doença ainda estão sendo melhores apuradas



É isso...
Boa noite moçada

Abraços!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DOENÇAS AUTO-IMUNE


Olá,

Hoje na aula de imuno foi a vez do meu grupo apresentar o seminário da AV2. Nós falamos de uma doença auto-imune que acomete o sistema nervoso central (SNC): a esclerose múltipla. Abordamos também alguns aspectos da esclerose sistêmica.

Mas o que é uma doença auto-imune?
São doenças desencadeadas devido a ataques de células do nosso sistema imunológico a alvos próprios do nosso organismo. Assim como o diabete mellitus do tipo 1, onde células de defesa atacam as células beta das ilhotas de langerhans localizadas no pâncreas deixando de produzir a insulina, a esclerose múltipla é caracterizada por ataques de células do nosso exército à bainha de mielina do SNC. Essa bainha é uma estrutura formada por células da glia denominadas de oligodendrócitos. Todas as células do nosso corpo possui uma estrutura na sua superfície chamada de molécula de histocompatibilidade (MHC), que se por algum motivo for expressada de forma errada, seja ela por erros genéticos ou infecções a algum patógeno, irá se tornar um alvo de células do sistema de defesa. Não é diferente na esclerose múltipla. Pessoas que possui uma mutação no gene HLA-DR2, carregam essa possibilidade genética de desenvolver a doença. Mas, em muitos dos casos, a esclerose múltipla precisa de um fator ambiental para "disparar o gatilho" dessa patologia. A infecção por determinados patógenos, principalmente da classe dos retrovírus como o HLTV-1, é um dos fatores mais bem estudados por pesquisadores, sendo o principal responsável pelo início do processo patológico. Uma vez o MHC expresso de forma errada, a estrutura da bainha de mielina se torna um auto-antígeno para o sistema de defesa. As células dendríticas recrutam esses auto-antígenos, apresentam para as células T CD4+ virgens onde elas se diferenciam em Th1 e Th2 efetoras, essas células CD4+ migram para o SNC ultrapassando a barreira hematoencefálica e ativam principalmente os macrófagos fazendo com que eles fagocitem e destruam a bainha. Em estágios mais tardios pode ocorrer perdas axonal dos neurônios envolvidos. Essa doença é frequentemente diagnosticada em caucasianos, de idade entre 20 e 40 anos, sendo que a Escandinávia e Norte do EUA são considerados lugares de alto risco. O exame de ressonância magnética é o procedimento mais utilizado para o diagnóstico. Mas também pode ser usado exames laboratoriais como análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e exames eletrofisiológicos. Dentre as suas manifestações clínicas destacam-se déficits sensitivos focais, desequilíbrio, perda visual unilateral ou bilateral, fadiga e fraqueza.

É isso...
Em breve postarei algo mais apurado sobre o diabetes mellitus tipo 1.


Abraço em vocês!

Boa semana.

domingo, 15 de maio de 2011

Alimentos Termogênicos!


Boa noite galera!

Estou um pouquinho ausente do blog não é? Apesar da UEFS em greve, tenho corrido contra o tempo esses dias. Ta chegando as datas de apresentar seminários e de fazer algumas provas já pra AV2 lá na FAN. Mas é assim mesmo... as coisas estão andando devagarzinho.

E vocês ai... tudo em paz?

Hoje eu vou colocar um link de um artigo que eu achei bem interessante e de fácil interpretação. O artigo possui 18 páginas e fala do uso de alimentos termogênicos no tratamento da obesidade. Se bater a preguiça pra ler ele na sua totalidade, olhem pelo menos a parte que mostra o efeito fisiológico desses alimentos e quais são eles. Vocês vão ver também as principais patologias que a obesidade pode causar.

Boa leitura!

http://www.nutricritical.com.br/core/files/figuras/file/Trabalho%20termog%C3%AAnicos%20Estag%20C%C3%A1ssia.pdf


Abraço em vocês!

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Primeiro Passo!





E ai moçada!

Como é que foram de micareta?
Para alguns sei que foi de muita farra. Já para outros a rotina foi praticmante a mesma, devido ao trabalho.
Eu aproveitei para dormir bastante. Fui na rua dar uma olhadinha, mas nada de muita empolgação.

Mas além de dormir muito, aproveitei para treinar um pouquinho as aulas práticas de imunologia. Arranjei umas seringas para praticar coleta sanguínea in vivo. E quem foi a cobaia? 
Ela mesmo... a Nani aceitou ser meu "ratinho de laboratório". Pensei até que ela não ia querer, mas o amor supera qualquer coisa (risos).

Como eu não tinha o garrote adequado, improvisei com uma luva látex de procedimento. O restante do material eu tinha em mãos. A fossa cubital é o lugar mais comum para punção venosa e injeções intravenosas devido a proeminência e acessibilidade das veias. Geralmente é selecionada a veia intermédia. Mas eu preferi nessa ocasião a basílica, pois a intermédia de Alana tava muito fina. A veia intermédia do cotovelo situa-se diretamente sobre a fáscia muscular, cruzando a aponeurose do músculo bíceps braquial, que a separa da artéria braquial e do nervo mediano. Eu julgo um procedimento extremamente simples. Mas mesmo assim, quero lembrar aos colegas que nós vamos trabalhar em uma área onde erros podem trazer grandes prejuízos. Já pensou se uma pessoa erra a veia e atinge o nervo mediano? Comprometerá os movimentos de grande parte dos músculos da região anterior do antebraço, uma vez que são inervados por ele.

Portanto, mesmo sendo um procedimento simples, percebe-se que a atenção e o conhecimento anatômico se faz necessário.

Tirando a gotinha de sangue que vasou no momento que eu introduzia a agulha, o treino ocorreu tudo bem.




É isso... deixa eu ir dormir agora que nestante tem dissecação!

Abraço em vocês e boa semana!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Anatomia Como Você Nunca Viu!



E ai gente!

Feriadão chegou hein... semana de comer peixe, tomar um vinho...
Algumas pessoas aproveitam para viajar, outras para descansar no doce lar.
Eu vou optar pela segunda opção. Vou tentar estudar um pouquinho também!

Já falei aqui que eu sou um dos monitores da disciplina de anatomia humana da FAN. Tá até no perfil. Sob supervisão do professor Paulo Sérgio, eu e mais duas meninas tentamos ajudar os alunos com a disciplina, principalmente nas aulas práticas. Eu particulamente, acho bastante divertido. Além de fazer novas amizades, de poder ajudar no aprendizado dos colegas, acabo aprendendo um pouco mais a cada aula que passa. As turmas que eu acompanho é do curso de fisioterapia 1º e 2º semestre nas terças e quintas pela tarde, respectivamente. Mas o professor propôs nos encontrarmos as terças pela manhã para repassarmos alguns conteúdos e principalmente, nos passar técnicas de dissecação de cadáver.
Gente, é extremamente prazeroso você fazer uma dissecação. É muito empolgante quando você começa ver estruturas idênticas com as que se encontram no atlas. Melhor ainda é você saber que foram as suas próprias mãos que ocasionaram isso.
Atualmente, eu estou dissecando o segmento do pé (acho que direito). Segundo o professor, é a região mais difícil de se dissecar. Eu concordo com ele. O pé tem uma camada muito espessa de tegumento, dificultando o corte com o bisturi, deixando-o cego mais rápido. Além disso, tem regiões com muito tecido adiposo, fazendo com que se tenha muita cautela para não lesar nenhuma estrutura que se queira preservar.
No meu trabalho lá a pior parte já passou, que é justamente essa de retirada de tecido adiposo e tegumento. O desafio agora é desenhar a fáscia plantar (planta dos pés), seccionar ela e rebater. Fazendo isso, eu chego na primeira camada dos músculos da região plantar.

Infelizmente, não podemos fotografar. É contra a ética e contra a lei divulgar fotos. Afinal, estamos falando de peças humanas onde o respeito se deve estar em primeiro lugar com aquele que um dia já foi filho de alguém, já possuiu sentimentos e que já esteve no meio de nós.

Em breve conto a vocês como anda os trabalhos lá.


Abraços à todos e bom feriado!

 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Incompetência das Válvulas Venosas = Veias Varicosas?



E ai galera!

Com essa UEFS em greve, estou aproveitando para colocar os estudos da FAN em dia, além de ir lá na academia de Vini treinar um pouquinho e dormir um pouco mais pela manhã, é claro. Não sei se todos sabem, mas fiz uma cirurgia de reconstituição do LCA. Devido a isso, o reforço muscular se faz necessário após a fisioterapia.

Mas enfim, vamos ao que nos interessa...
Na aula de fisiologia na quinta-feira passada, a profª Ana nos mostrou um pouco dos mecanismos hemodinâmicos do nosso corpo. Estudando aqui em casa, vejo que o sistema circulatório é a nossa alma fisiológica. O sangue é como se fosse o combustível do nosso carro. É no sistema circulatório que se encontra os nutrientes e oxigênio, principais responsáveis por fazerem as células dos nossos tecidos funcionarem de maneira ótima. É o sistema circulatório também, que recolhe o lixo metabólico do nosso corpo e o leva para os orgãos responsáveis por sua eliminação.
Esse sistema é composto basicamente por artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias, além do vasos linfáticos que se encontram paralelo a essas estruturas. As artérias conduzem o sangue rico em oxigênio sob alta pressão para os tecidos, e as veias o traz de volta sob baixa pressão. Um detalhe para as veias, é de que elas funcionam como importante reservatório de sangue, possuem válvulas que impedem o sangue regredir e o ajuda a ser propelido em direção ao átrio direito.
É devido a essa diferença de pressão que o sangue deixa o ventrículo esquerdo, percorre os caminhos labirínticos do nosso corpo e retorna ao átrio direito da nossa bomba contrátil. Mas além do coração, principal responsável por promover esse bombeamento de sangue no caminho de ida, o caminho de volta conta com a ajuda de uma bomba venosa. Mas no que consiste essa bomba venosa?
O corpo sofre o constante efeito da pressão gravitacional. A pressão arterial normal na saída do ventriculo esquerdo é em média de 110 mmHg. A medida que o fluxo sanguíneo progride inferiormente, a pressão arterial se eleva para 190 mmHg na região dos pés. No seu trajeto de volta, a pressão venosa ao nível dos pés se encontra em torno dos 90 mmHg e tende a diminuir até chegar a 0 mmHg ao nível do átrio direito. Porém, a cada vez que nós movimentamos as pernas, a contração dos músculos comprime as veias localizadas no interior ou adjacentes aos músculos, o que ejeta o sangue com mais força para adiante, mantendo assim a pressão reduzida em 20 mmHg. A bomba venosa consiste justamente nesse processo de ajuda ao sistema venoso, sendo que o trícepes sural (vulgarmente conhecido como batata da perna), é um dos principais músculos desse bombeamento. Quando essas válvulas presentes nas veias se tornam incompetentes, chegando às vezes a serem destruídas, a pressão nas veias das pernas se elevam exageradamente aumentando o seu calibre, desenvolvendo as visíveis protusões bolhosas das veias varicosas. Isso pode ocorrer devido a idade avançada, na gravidez onde esses vasos sofrem pressão por muito tempo, ou pessoas que passam a maior parte do tempo em pé.

Desse modo percebemos os impactos maléficos do mal funcionamento dessas estruturas e da falta da bomba venosa no sistema hemodinâmico.
Em breve farei um post sobre a fisiologia cardíaca para associarmos um pouco desses dois sistemas irmãos.


Boa semana à todos!


A gente se vê.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tá inflamado? Chama a Puliça!!

Neutrófilo



Boa Noite Pessoall!

Tudo bem ai!?
Estive um pouco ausente essa semana devido a semana de prova na FAN. Sabe como é né... é uma correria danada!

E uma dessas provas foi a da disciplina de imunologia.
Estudar imuno é parar pra entender como o nosso corpo reage a determinados invasores. É compreender como essas células lutam de todas as formas possíveis para nos proteger dos microrganismos presentes no meio. A inflamação nada mais é que um tipo de processo envolvendo essas células.

No momento em que nós pisamos em um prego por exemplo, oferecemos aos microrganismos a porta de entrada da sua desejada invasão. São seres bastantes oportunistas, pois tudo que eles mais querem é um pequeno vacilo seu. Além desse tipo de lesão, os sistemas gastrointestinal e respiratório podem fornecer também uma porta de entrada para esses invasores.
Ao se instalar no tecido lesado, células denominadas de neutrófilos são acionados para que migrem para o local e elimine o inimigo. Esse processo de migração é denominado de quimiotaxia, pois essas células recebem sinalizadores químicos dos macrófagos, mastócitos e substâncias como citocinas e prostaglandinas, objetivando a atração. Após o sinal, esses neutrófilos rolam pelo endotélio dos vasos sanguíneos até chegarem a região da lesão onde existe a presença dos microrganismos, sofrem o processo de diapedese alcançando o tecido, e por fim iniciam a função efetora de fagocitose ou degranulação.
Devido a esse processo, o local inflamado apresenta sinais característicos como vermelhidão, aumento da temperatura devido a vasodilatação, elevado fluxo sanguíneo local.

Quero chamar atenção de que existe outros tipos de respostas imunológicas envolvendo outros tipos de células como os linfócitos B, linfócitos T CD4+ e CD8+, basófilos, eosinófilos, entre outros. Ao decorrer do semestre irei postando diferentes tipos de respostas e células envolvidas nos processos.


Portanto, se o local estiver inflamado... chama a puliça!!!


Boa semana!
Abraço em vocês.